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My Neighbour Totoro

Título Original: Tonari no Totoro となりのトトロ

Género: Fantasia, Familiar
Director: Hayao Miyazaki
Estúdio: Studio Ghibli
Emissão: 16 de Abril de 1988
Duração: 86 minutos

To-to-ro? You're Totoro!... I bet you're Totoro...


  • Talvez um dos, senão mesmo o trabalho mais "fofinho" do grande mestre de animação japonesa! My Neighbour Totoro evidencia claramente um cunho mais meigo elevando personagens de carácter ternurento - sendo Totoro o expoente máximo desta conduta. Os próprios elos entre personagens formulam um circuito de afecto, desde a preocupação e zelo da velha vizinha à paixoneta de Kanta, à relação entre as duas irmãs e num outro nível à relação destas com os seus pais (para não denunciar já a própria relação de Totoro com as irmãs e destas com a natureza). 
  • Todo este ambiente tranquilo e de bem-estar entre familiares e entre desconhecidos não cede portanto espaço na narrativa a intrusões que possam impor uma outra conduta. Não temos em My Neighbour Totoro vilões ou intrigas, personagens genuinamente carrancudas ou qualquer outro tipo de vibração mais negativa - tudo isto é desinteressante para o trabalho em mote. A narrativa acaba por girar em torno das temáticas habituais em Miyazaki mas este desenvolve tudo num plano muito positivo relevando certos mistérios e dando forma a seres mais estranhos mas nunca arquitectando um mau estar perante estes - as irmãs conquistam o desconhecido e embrenham-se na mãe-natureza através de contactos e de pequenas descobertas absolutamente inocentes. Ladeia este campo central a preocupação constante das miúdas pela saúde da mãe e em como isto as afecta mas de novo, sem que se enfatize uma toada mais dramática. 
  • As temáticas do costume suportam todo o teor narrativo, sendo estas já nossas conhecidas de outros trabalhos de Hayao Miyazaki: um novo lar, como isto gera uma mudança radical na vida de duas crianças e como as submete numa adaptação a uma nova realidade; a problemática familiar, neste caso o bem-estar da progenitora das personagens centrais da história e de novo e acima de tudo toda aquela artéria vinculada à natureza, a qual é manifestada em Miyazaki através de elementos mágicos, enfatizando o carácter maravilhoso da mãe-natureza e transmitindo a mensagem de como é importante protegê-la, não esquecendo que esta tem também o poder de nos proteger. 
  • De percurso mais linear, não dispondo um argumento de maior profundidade, MNT é um trabalho simples mas aconchegador. É também visualmente caloroso, campo que encontra no sonoro um notável siamês.

- 10 -

Ponyo on the Cliff - Por Roberto Simões (CINEROAD)

PONTUAÇÃO: BOM
        ****

Título Original: Gake no Ue no Ponyo  崖の上のポニョ 

Realizador: Hayao Miyazaki
Estúdio: Studio Ghibli
Estreia: 19 de Julho de 2008
Duração: 101 minutos

Crítica
A MENINA DO MAR
A vida é misteriosa e maravilhosa - diz Lisa, a mãe de Sosuke - e assim é a animação de Hayao Miyazaki. Ponyo à Beira-Mar é um autêntico delírio visual - mais um, cheio de cores e magia, misturando com extraordinária imaginação e criatividade universos tão distintos como o real e o imaginário. Num tom mais infantil, o japonês revisita valores clássicos como a beleza, a pureza, a inocência, a bondade e o amor num filme absolutamente refrescante na sua filmografia.
A obra abre, ainda antes dos créditos iniciais, com uma sequência deslumbrante e quase inebriante nas profundezas do oceano. Depois, até ao final, somos envolvidos num mundo fabuloso e irresistível, imerso em mitologias e superstições, à deriva em sonhos, mas a salvo em humanidade. Não devemos julgar os outros pelo aspecto. A minha cena favorita é aquela em que o Sosuke e a mãe comunicam com o pai em alto mar, por meio da luz cintilante. É tão bonita, tão tocante... E é claro, outras tantas inesquecíveis como aquela em que a jovem se transforma em humana e corre as águas e os peixes, ou aqueloutra em que a Deusa do Mar aparece entre o luar e brilhos dourados, na surreal agitação das ondas.

A narrativa é linear e mais simples do que noutros títulos do autor, é certo, mas não é por isso que abandona, por completo, o carácter metafórico e ambíguo que é habitual. O filme conta com uma grande componente auto-biográfica (Sosuke representa, por exemplo, o filho do próprio realizador e a velha rezingona Toki a sua mãe), com alegorias e significados muito pessoais, e ainda com a crítica à poluição dos mares e à caça abusiva: por outras palavras, os excessos do Homem e as suas destrutivas consequências para a Natureza - Os seres humanos são nojentos! - tópico aliás recorrente, note-se a obra Princesa Mononoke.Implícita está ainda a capacidade de a Natureza, ela própria, se vingar pelas catástrofes e procurar, desse modo, o equilíbrio primordial.

Quando as cheias devastam a cidade portuária e Sosuke e Ponyo partem à procura da mãe do rapaz naquele barco enfeitiçado, há um confronto com a morte, atenuado pela poesia da animação. Aquela bolha no fundo do mar, que acolheu a gente do lar de idosos, não é senão uma metáfora do Paraíso. Quando, fugindo à maldição de Fujimoto, Sosuke cai nos braços da velhota da cadeira de rodas, dá-se o encontro simbólico entre o filho e a mãe de Miyazaki, entre o ser-se velho e ser-se criança: o estado priveligiado do próprio Miyazaki, capaz de abraçar a morte, na poesia do adeus, e de atingir, pela arte, a imortalidade.

Naquela bolha marítima, há milagres e magia e tudo é possível... É possivel transcender a morte, ultrapassar os desígnios naturais que uma intempérie daquelas causaria. É possível regressar à superfície, onde o amor triunfará. Na arte tudo é possível. Não há limites. E assim é o cinema de Miyazaki. Enquanto crianças, poderemos ficar-nos sempre pela simplicidade de uma primeira leitura. E, da mesma forma, perder-nos-emos na fantasia... e na infinitude dos sonhos.

Irrepreensível no desenho e na pintura e dotado ainda de uma magnífica e cristalina banda sonora (Joe Hisaishi), eis, pois, um filme totalmente delicioso.


Welcome to a World Where Anything is Possible

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