The Girl Who Leapt Through Time

Dirigido por Mamoru Hosoda, em 2006.

  • De certeza absoluta que aqui está um trabalho capaz de arrancar emoções fortes ao sector mais feminino. A narrativa segue a história de uma rapariga capaz de recuar no tempo e transformar as suas acções, sendo que estas terão por sua vez um impacto directo na vida daqueles que lhe estão próximos. A adicionar a isto toda uma carga romântica que envolve grande parte do tempo da película mas que é conduzida de forma sedosa, não recorrendo a elevado dramatismo mesmo que detendo ao seu dispor os instrumentos que lho permitiriam fazê-lo.
  • O traço e a paleta de cores acabam por não corresponder em igual nível a todo o conjunto narrativo/interpretativo. Acredito que um outro trato poderia transformar este projecto num produto verdadeiramente inesquecível.
  • A mensagem principal do filme sobressai também e adequa-se que nem uma luva aos adolescentes e a todos aqueles que procuram ainda por uma definição pessoal: o tempo não espera por ninguém, há que encarar as situações de frente sendo honestos connosco mesmos e correr, correr muito! Mas não de situações que nos provocam desconforto. Correr rumo àquilo que queremos e consideramos melhor.

-9-

Perfect Blue

Realizado por Satoshi Kon, lançado no ano de 1997.

  • Um thriller psicológico bastante interessante do autor de Paprika ou de Millennium Actress. Bastante avançado para 1997, retrata uma problemática que hoje em dia prolifera bastante pela Internet: o roubo de uma identidade, aproveitando para aprofundar este problema com questões de distúrbios de personalidade. 
  • O enredo é interessante e está bem manuseado mantendo no mistério culpados e vítimas. Num outro vértice da narrativa encontramos a problemática inerente à figura pública e à forma como esta é capaz de atraiçoar as suas próprias paixões de forma a se manter à tona naquele que é um mercado tão competitivo, muitas das vezes com um impacto psicológico obviamente negativo. A figura pública acaba por se ver refém do seu estatuto, da sua condição social enveredando o seu percurso profissional por uma rota inicialmente desinteressante para essa pessoa.
  • Em termos de traço não posso dizer que sou um grande fã de Satochi mas são vários os elementos e dinâmicas que vão surgindo e adicionando algum interesse àquela que é uma paleta primariamente mais votada a uma gama pouco aguerrida.

-8-

Whisper of the Heart

Whisper of the Heart (1995) - Realizado por Yoshifumi Kondo e escrito por Hayao Miyazaki.


  • Um romance que narra o perfect match entre dois adolescentes mas que também nos ensina que o destino e o amor e a química se podem ir construindo e polindo. 
  • O enredo articula-se de forma simples: Seiji apercebendo-se da estima de Shizuku pela leitura inscreve o seu nome no maior número de livros possíveis de forma a fazer-se misteriosamente notar. Por outro lado, apercebendo-se dos sonhos e da determinação de Seiji, Shizuku empenha-se em encontrar o seu próprio caminho. A própria música do filme reforça todo o ambiente formulado concedendo maior força à mensagem subjacente na história e agarrando à sua melodia a alma de toda a película. 
  • Whisper of the Heart é um daqueles trabalhos que nos dá alento, que nos tira um daqueles pesos chatos de cima e se por um lado reforça em nós aquele desejo de sermos correspondidos, também estimula que façamos as nossas acções acontecer. 
9/10

The Secret World of Arrietty

Título Original: Kari-gurashi no Arietti

Género: Aventura; Familiar
Director: Hiromasa Yonebayashi
Estúdio: Studio Ghibli
Emissão: 17 de Julho de 2010
Duração: 94 minutos

Please, leave us alone. I wanted to tell you that.
  • Com os níveis conceptuais do grande mestre na narrativa, Arrietty exala desde logo aquele selo com garantia a qualidade. No plano artístico Hiromasa erige no entanto um ambiente diferente do de Miyazaki, menos exuberante na abordagem ao traço, à forma fantástica ou mesmo ao surreal - o desenho é pois mais sóbrio, mais votado ao real ainda que no plano narrativo continuemos a desfrutar de inúmeros elementos capazes de nos arrancar do preto e branco que é a realidade. A investida dos borrowers à cozinha dos humanos, onde o seu avanço por aquele espaço acaba por ser naturalmente lento devido à sua pequena dimensão é uma das cenas mais aliciantes e inventivas de todo o filme.
  • A história é doce, com uma carga humanista forte e montando todo um meio envolvente bastante bonito. Existe também uma carga dramática interessante, bem manietada através do elo que se gera entre Arrietty e Shõ, sobretudo devido à condição debilitada deste último.
  • Todo o trabalho segue de resto uma linha singular de fantasia mas de índole simples, não complicando nem articulando demarcadas metáforas. Queda-se atrás de qualquer um dos trabalhos mais populares de Miyazaki mas não deixa de ser por isso um verdadeiro "must see" e um trabalho de excelência no mundo do anime.

-8-

Ninja Scroll

Título Original: Jûbê Ninpûchô

Género: Acção; Aventura
Director: Yoshiaki Kawajiri
Estúdio: Madhouse
Emissão: 5 Junho de 1993
Duração: 99 minutos


  • O género assume-se enquanto acção/aventura, bem ao género daquilo que o início dos anos 90 então oferecia. É pois perceptível a localização desta obra num outro tempo e é-lhe por isso devida uma contextualização mais condigna. Surgem facilmente nesta altura animes como Sailor Moon, Dragon Ball ou até mesmo Street Fighter sendo que a animação privilegiava sobretudo sequência de acções, heróis místicos e vilões altamente demonizados. 
  • O padrão de Ninja Scroll não foge muito à época, dispondo de um herói com aquela típica face do rapaz que se "está nas tintas" para tudo e para todos mas que no devido momento não se recusa a enfrentar oito monstros enigmáticos, dotados de habilidades únicas - Ninja Scroll atinge aqui um pilar de apelo imediato. 
  • Algumas boas sequências de acção presentes sobretudo no início do filme, sendo o embate de Jubei com Tessai o de maior relevo, também duração. Após a queda do primeiro dos oito monstros a acção deixa de ter tempo para desenvolver personagens, denotando-se algum desapontamento quando em cena os restantes combates. Não deixa Ninja Scroll de ser para a época um trabalho compreensivelmente carismático.

- 7 -

Paprika



Paprika (2006) - Obra de Satochi Kon.

Nome Original: Papurika
Género: Mistério; Sci-fi; Thriller
Estúdio: Madhouse
Emissão: 25 de Novembro de 2006
Duração: 90 minutos

Arrecadou troféus e nomeações por entre vários certames de renome, como o Festival de Cinema de Veneza ou, até mesmo, no certame português Fantasporto.
  • Poderia começar por elevar diversos elementos de interesse manifesto mas acabo por optar pela banda sonora - absolutamente fantástica! Susumu Hirasawa esteve simplesmente impecável na concepção da OST, a qual soube desdobrar-se por entre acordes de suspense, por entre apelos enigmáticos referentes à psique humana, ou simplesmente por entre a acção frenética que a fantasia por vezes contém.



  • Paprika como já dei a entender, pontua em variados eixos - um dos mais proeminentes claramente o literário: um argumento enigmático, profundo capaz de colocar as nossas emoções em suspenso mas também e talvez acima de tudo, psicológico. Paprika incide na conquista da ciência relativamente ao último reduto do Homem: a sua imaginação, o seu inconsciente, os seus sonhos! O domínio científico gerará por seu turno reacções de diversos foros doutrinários, instalando-se primeiramente uma ameaça que aparenta punir os cientistas que conquistaram este reduto humano e escalando depois rapidamente para uma ameaça à escala global.



  • O desenho não será dos mais sumptuosos que muitos terão a oportunidade de visualizar, mas não deixa de envergar uma paleta que consegue bons contrastes e um traço que apesar de tudo cumpre os serviços mínimos.


  • -10-

    My Neighbour Totoro

    Título Original: Tonari no Totoro となりのトトロ

    Género: Fantasia, Familiar
    Director: Hayao Miyazaki
    Estúdio: Studio Ghibli
    Emissão: 16 de Abril de 1988
    Duração: 86 minutos

    To-to-ro? You're Totoro!... I bet you're Totoro...


    • Talvez um dos, senão mesmo o trabalho mais "fofinho" do grande mestre de animação japonesa! My Neighbour Totoro evidencia claramente um cunho mais meigo elevando personagens de carácter ternurento - sendo Totoro o expoente máximo desta conduta. Os próprios elos entre personagens formulam um circuito de afecto, desde a preocupação e zelo da velha vizinha à paixoneta de Kanta, à relação entre as duas irmãs e num outro nível à relação destas com os seus pais (para não denunciar já a própria relação de Totoro com as irmãs e destas com a natureza). 
    • Todo este ambiente tranquilo e de bem-estar entre familiares e entre desconhecidos não cede portanto espaço na narrativa a intrusões que possam impor uma outra conduta. Não temos em My Neighbour Totoro vilões ou intrigas, personagens genuinamente carrancudas ou qualquer outro tipo de vibração mais negativa - tudo isto é desinteressante para o trabalho em mote. A narrativa acaba por girar em torno das temáticas habituais em Miyazaki mas este desenvolve tudo num plano muito positivo relevando certos mistérios e dando forma a seres mais estranhos mas nunca arquitectando um mau estar perante estes - as irmãs conquistam o desconhecido e embrenham-se na mãe-natureza através de contactos e de pequenas descobertas absolutamente inocentes. Ladeia este campo central a preocupação constante das miúdas pela saúde da mãe e em como isto as afecta mas de novo, sem que se enfatize uma toada mais dramática. 
    • As temáticas do costume suportam todo o teor narrativo, sendo estas já nossas conhecidas de outros trabalhos de Hayao Miyazaki: um novo lar, como isto gera uma mudança radical na vida de duas crianças e como as submete numa adaptação a uma nova realidade; a problemática familiar, neste caso o bem-estar da progenitora das personagens centrais da história e de novo e acima de tudo toda aquela artéria vinculada à natureza, a qual é manifestada em Miyazaki através de elementos mágicos, enfatizando o carácter maravilhoso da mãe-natureza e transmitindo a mensagem de como é importante protegê-la, não esquecendo que esta tem também o poder de nos proteger. 
    • De percurso mais linear, não dispondo um argumento de maior profundidade, MNT é um trabalho simples mas aconchegador. É também visualmente caloroso, campo que encontra no sonoro um notável siamês.

    - 10 -