Mostrar mensagens com a etiqueta Críticas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Críticas. Mostrar todas as mensagens

Ponyo on the Cliff - Por Roberto Simões (CINEROAD)

PONTUAÇÃO: BOM
        ****

Título Original: Gake no Ue no Ponyo  崖の上のポニョ 

Realizador: Hayao Miyazaki
Estúdio: Studio Ghibli
Estreia: 19 de Julho de 2008
Duração: 101 minutos

Crítica
A MENINA DO MAR
A vida é misteriosa e maravilhosa - diz Lisa, a mãe de Sosuke - e assim é a animação de Hayao Miyazaki. Ponyo à Beira-Mar é um autêntico delírio visual - mais um, cheio de cores e magia, misturando com extraordinária imaginação e criatividade universos tão distintos como o real e o imaginário. Num tom mais infantil, o japonês revisita valores clássicos como a beleza, a pureza, a inocência, a bondade e o amor num filme absolutamente refrescante na sua filmografia.
A obra abre, ainda antes dos créditos iniciais, com uma sequência deslumbrante e quase inebriante nas profundezas do oceano. Depois, até ao final, somos envolvidos num mundo fabuloso e irresistível, imerso em mitologias e superstições, à deriva em sonhos, mas a salvo em humanidade. Não devemos julgar os outros pelo aspecto. A minha cena favorita é aquela em que o Sosuke e a mãe comunicam com o pai em alto mar, por meio da luz cintilante. É tão bonita, tão tocante... E é claro, outras tantas inesquecíveis como aquela em que a jovem se transforma em humana e corre as águas e os peixes, ou aqueloutra em que a Deusa do Mar aparece entre o luar e brilhos dourados, na surreal agitação das ondas.

A narrativa é linear e mais simples do que noutros títulos do autor, é certo, mas não é por isso que abandona, por completo, o carácter metafórico e ambíguo que é habitual. O filme conta com uma grande componente auto-biográfica (Sosuke representa, por exemplo, o filho do próprio realizador e a velha rezingona Toki a sua mãe), com alegorias e significados muito pessoais, e ainda com a crítica à poluição dos mares e à caça abusiva: por outras palavras, os excessos do Homem e as suas destrutivas consequências para a Natureza - Os seres humanos são nojentos! - tópico aliás recorrente, note-se a obra Princesa Mononoke.Implícita está ainda a capacidade de a Natureza, ela própria, se vingar pelas catástrofes e procurar, desse modo, o equilíbrio primordial.

Quando as cheias devastam a cidade portuária e Sosuke e Ponyo partem à procura da mãe do rapaz naquele barco enfeitiçado, há um confronto com a morte, atenuado pela poesia da animação. Aquela bolha no fundo do mar, que acolheu a gente do lar de idosos, não é senão uma metáfora do Paraíso. Quando, fugindo à maldição de Fujimoto, Sosuke cai nos braços da velhota da cadeira de rodas, dá-se o encontro simbólico entre o filho e a mãe de Miyazaki, entre o ser-se velho e ser-se criança: o estado priveligiado do próprio Miyazaki, capaz de abraçar a morte, na poesia do adeus, e de atingir, pela arte, a imortalidade.

Naquela bolha marítima, há milagres e magia e tudo é possível... É possivel transcender a morte, ultrapassar os desígnios naturais que uma intempérie daquelas causaria. É possível regressar à superfície, onde o amor triunfará. Na arte tudo é possível. Não há limites. E assim é o cinema de Miyazaki. Enquanto crianças, poderemos ficar-nos sempre pela simplicidade de uma primeira leitura. E, da mesma forma, perder-nos-emos na fantasia... e na infinitude dos sonhos.

Irrepreensível no desenho e na pintura e dotado ainda de uma magnífica e cristalina banda sonora (Joe Hisaishi), eis, pois, um filme totalmente delicioso.


Welcome to a World Where Anything is Possible

Siga o autor da Crítica em: http://cineroad.blogspot.com/ ou em http://www.cineroad.net/

Blue Exorcist (Ao no Exorcist)

Título Original: Ao no Ekusoshisuto 青の祓魔師

Género: Comédia; acção; sobrenatural.
Demografia: Shõnen
Director: Tensai Okamura
Estúdio: A-1 Pictures
Emissão: de 17 de Abril de 2011 a 2 de Outubro de 2011
Duração: 25 episódios


"I'm not a human or a demon anymore. I have no choice but to go forward! I'll become an Exorcist!"

O Mundo em Ao no Exorcist é composto por duas dimensões: os humanos habitam em Assiah e, por outro lado, os demónios vivem em Gehenna sendo que qualquer tipo de viagem e contacto entre ambas as dimensões é impossível. 
Contudo, os demónios conseguem quebrar este princípio e muitos são os que conseguem penetrar em Assiah. Com o intuito de conter a ameaça, o Vaticano promoveu uma rede internacional de exorcistas votados a combater os demónios invasores assim como a potencial invasão do rei destes - Satan.

Satan detém uma margem de manobra restrita fora de Gehenna, uma vez que conta com o grande entrave de nenhum recipiente vivo em Assiah o conseguir suportar. Esta frustração foi quebrada por uma humana que aparentemente se tornou imune às suas chamas e que por esta mesma capacidade terá sido capaz de dar à luz dois gémeos, filhos do rei dos demónios.

Crítica: Apesar do enredo envergar uma base claramente votada ao sobrenatural e a uma aura mais pesada, a forma como a série decorre em redor dos jovens Rin e Yukio Okumura - os descendentes de Satan - pouco bebe de um ambiente mais tenso. Pelo contrário, assistimos a episódios descontraídos e juvenis onde por vezes o humor flui com maior destaque.
Confesso que após o primeiro episódio esperava por um pouco mais sobretudo ao nível da história mas até mesmo nas lutas, que pecam por escassas e pouco marcantes.

Não estou com isto a dizer que Ao no Exorcist foi uma decepção, porque de facto não o foi. Estou a falar-vos de um dos melhores animes emitidos em 2011, ou pelo menos aquele que maior adesão logrou atingir a partir do (sempre fértil) mês de Abril. E tal foi compreensível dado que se trata de um trabalho que consegue facilmente entreter os mais exigentes, contando com uma história simples mas catchy e com os campos gráficos e sonoros a responderem a um bom nível - personagens inclusive.

Mas aos mais devotos, aqui ficam as minhas desculpas pois apesar dos atributos acima enumerados, na minha óptica, Blue Exorcist não consegue ombrear em qualidade com outras séries ongoing como Naruto ou mesmo Fairy Tail.

O director Okamura não caiu no erro de gerar uma série de 12 episódios como aconteceu com Deadman Wonderland (um dos seus grandes antagonistas aquando do lançamento), mas também não soube aproveitar convenientemente o pacote de 25, ainda que por razões diametralmente opostas: encontramos demasiados episódios enfadonhos que poderiam ter levado um outro tipo de trato, isto para não insinuar mesmo que teria sido legítimo a sua supressão. É que os ditos cujos, colocados a meio da série apenas nos desgastaram e conduziram a um decrescer de interesse gradual - algo que só volta a ser retomado na última dezena de episódios.

Ao no Exorcist é um anime que não trazendo nada de novo ao Universo shõnen, consegue marcar a diferença pela sua aura rebelde e pelo fundo histórico inteligente que abarcou na sua trama.

8/10

Deadman Wonderland

Título Original: Deddoman Wandärando デッドマンワンダーランド

Género: Horror; acção; ficção científica; distopia.
Demografia: Shõnen
Director: Koichiro Hatsumi
Autor: Yasuyuki Muto
Estúdio: Manglobe
Emissão: 17 de Abril de 2011 a 3 de Julho de 2011.
Duração: 12 episódios e 1 OVA (8/10/2011).

It doesn’t matter whether this world is crazy or not. It doesn’t matter if this absurdity is real. It doesn’t matter how messed up this place may be… I want to survive.

Comecei a progredir na visualização desta série com grandes expectativas e após um início que prometia almejar atingir o Olimpo.
Deadman Wonderland (DW) tinha aparentemente, tudo! Despontava com uma OP habilmente construída, logrando a harmoniosa fusão do sonoro com o visual e a partir daí engrenava numa história extraordinária. Lembro-me perante isto de pensar estou provavelmente, perante um dos melhores animes de sempre!

Sim, não é vossa impressão o ácido que subtilmente assola as minhas palavras...

Deadman Wonderland ascendeu a um nível tão elevado, que outra coisa que não a concretização inquestionável da  sua qualidade, me deixaria irremediavelmente desapontado. E tanto deixou...

Eu admito que sou um adepto de lutas épicas, como as que encontramos em trabalhos como Fairy Tail, Naruto, Bleach ou Dragon Ball... mas sou ainda mais devoto de séries bem arquitectadas, cuja profundidade da trama seja notável e onde para o melhor ou para o pior esteja o ser humano representado, com toda a pujança emocional que lhe é inerente.
E admitindo que é fácil encontrar este último vector no anime, a verdade é que na esmagadora maioria dos casos só o encontramos retratando de forma eficaz o que de melhor há em nós. DW assumia-se como um feroz candidato a vincar a fogo esta última qualidade que tanto me agrada, mas optando por enaltecer o que de pior há na humanidade.

Até vos pode soar estranho redigir isto assim, mas não escondo que dou primazia a quem encara a realidade como ela é, nua e crua e tantas mas tantas vezes injusta. E essa é indubitavelmente a essência de Deadman Wonderland: uma série que revela a injustiça na nossa sociedade; a insensibilidade humana no seu melhor (ou pior) promovendo cenas sangrentas, por vezes mesmo sádicas e que astutamente nos torturarão o estômago confrontando-nos com o macabro.

E esta longa frase dá o mote para o ínicio da sinopse: Igarashi Ganta é introduzido como um jovem estudante absolutamente normal - trata-se de um personagem magricela, sem grandes atributos físicos ou intelectuais. A trama evolui rapidamente para um verdadeiro massacre! Red Man, um vulto que surge flutuando banhado em sangue e envergando uma armadura escarlate, procede à aniquilação de todos os amigos e colegas de aula de Ganta. Inexplicavelmente, Red Man poupa a vida de Ganta e em adição a isto ainda lhe parece aplicar uma misteriosa acção.

Na sequência deste episódio, Igarashi Ganta é acusado de ter assassinado toda a turma e após o julgamento, é confinado a uma prisão atípica onde os presos têm de lutar para entretenimento dos espectadores (por vezes até à morte) e onde através de grandes custos conseguem ter acesso ao candy - um doce que lhes prolonga o tempo de vida.
Agora imaginem um rapaz com os atributos que acima descrevi. Imaginem esse mesmo miúdo totalmente confuso e perdido - acusado de ter morto os amigos, impiedosamente culpado e colocado num verdadeiro Inferno. Ganta será alvo de Bullying por parte de alguns presos (outros tentarão aproveitar-se dele), a sua vida estará sempre por um fio, no limite e como cereja do bolo: também ele terá de enfrentar combates sangrentos e inumanos para divertimento do público sendo que em caso de derrota, admitindo que sobrevive a essa mesma batalha - terá ainda de passar pela penalização, onde lhe é retirado um órgão vital.

Trágico não é? Mas convenhamos... também original e assaz interessante. Eu pelo menos fiquei colado, na expectativa de novos episódios! Personagens misteriosas foram surgindo e a trama parecia emanar uma profundidade luxuriante.

E a minha crítica começa verdadeiramente neste ponto, refutando toda a qualidade enaltecida até aqui, cumprindo-me agora enunciar a outra face desta história (ainda que sem beliscar as componentes gráficas): Havia sumo para muito, muito mais! Os diversos vectores de interesse na trama são introduzidos e esquecidos a uma velocidade vertiginosa e a qual nem nos dá tempo para processarmos e conjugarmos convenientemente os cenários e toda a informação que nos é dada. Ao invés, reparamos que este Titanic se afunda que nem um navio gordo e esventrado de popa a proa, sem salva-vidas para todos e em boa verdade, sem pompa alguma.

As personagens surgem - parecem vir a ter um papel importante no enredo - e igualmente depressa ou são esquecidas ou morrem. Simplesmente não existe tempo para pelo menos processarmos convenientemente a sua existência.
Exemplifico com o minguar absurdo da tensão que envolvia a problemática da subsistência e dos candies; com a rápida transição de Ganta de uma área da prisão para outra (onde as realidades são completamente distintas); até mesmo com o Director da prisão que depressa morre sem explicar coisa alguma ou até mesmo com a chefe da guarda que acaba por não ser mais do que uma inutilidade em toda a série. Também os espectáculos mórbidos (Carnival Corpse) poderiam ter levado outra volta; também a evolução de Ganta ou a aliança deste com outros presos e em como isto descamba numa fuga poderia ter levado um outro tempo; ou mesmo a prestação de Yo Takami, a qual tal como tudo o resto acaba por saber a muito, muito pouco.

Eu usei o termo "poderiam" mas este equivale na prática a um "deveriam".

Deadman Wonderland tinha tudo nas mãos para gravar o seu nome na história do anime, não duvido disto. Mas não o conseguiu. Nunca DW deveria ter enveredado por um pequeno conjunto de 12 episódios quando a imensidão do seu conteúdo preenchia descontraidamente 26 episódios.

26 episódios onde todos os aspectos que enumerei lograriam atingir a solidez desejada.
DW seria épico, o retrato do verdadeiro Inferno e uma referência para todos aqueles que apreciam um mundo mais alternativo, menos cor-de-rosa.
Elevar-se-ia a relação entre a insensibilidade e o espectáculo, vincando-se o conceito de injustiça através de uma luta desesperada pela sobrevivência. O derradeiro terror físico e psicológico devidamente despoletado, conduzir-nos-ia a uma reflexão sobre as temáticas abordadas, a um confronto interior e acredito que o nosso lado mais emotivo seria estimulado e colocado à prova.

A margem de DW era tanta, que o nível 10 seria atingido com uma banalidade solene.
Aquilo que realmente foi eficazmente explorado foi tão pouco, que Deadman Wonderland nunca poderia vir a sonhar com mais do que um 8/10.

Kiki's Delivery Service

Título Original: Majo no takkyübin 魔女の宅急便

Género: Fantasia; magia; romance; aventura.
Director: Hayao Miyazaki
Autor: Hayao Miyazaki (baseado na obra de Eiko Kadono)
Estúdio: Studio Ghibli
Lançamento: 22 de Julho de 1989
Duração: 102 minutos

Without even thinking about it, I used to be able to fly. Now I'm trying to look inside myself and find out how I did it.

Kiki é uma jovem feiticeira de 13 anos, ainda em aprendizagem.
Como é comum na sua aldeia, as jovens aspirantes de bruxaria passam por um ritual bastante específico - terão de viver sozinhas durante 1 ano, bem longe da sua aldeia de origem - sendo que é precisamente este o mote e a base de mais uma eficaz história do mestre Miyazaki.

É nítido o ligeiro afastamento de Kiki's Delivery Service de outros trabalhos.
A aposta incidiu num projecto simplista, ainda que repleto de nobres e ternos sentimentos. E a mensagem acaba por isso mesmo, por se tornar bem mais directa do que as mensagens presentes em outros exemplares de Miyazaki: acredito que este filme retrate sobretudo a independência, a confiança nas nossas capacidades enquanto passamos por um processo de crescimento e de amadurecimento - quer numa vassoura ou com asas, trata-se de quando realmente começamos a voar.

Ao vencedor do Anime Grand Prix de 1989 e, também vencedor da categoria de filme mais popular da academia de cinema japonesa do mesmo ano entrego um 9/10

X-Men

Título Original: X-Men エックスメン

Género: Acção; sobrenatural; ficção científica.
Argumento: Warren Ellis 
Director: Kizaki Fuminori
Estúdio: Madhouse
Emissão: de 1 de Abril de 2011 a 24 de Junho de 2011 

Duração: 12 episódios

Please, Scott... Kill me!

Quem não conhece X-Men, o grupo de heróis agrupados pelo Professor X? 
X-Men é indubitavelmente uma das lendárias e melhor sucedidas criações da Marvel, onde a humanidade e os mutantes procuram coexistir. Apesar de muitas vezes perseguidos, um pequeno grupo de jovens especiais é reunido por Charles Xavier visando este a segurança de jovens mutantes, a protecção de civis e (por muitos considerada uma Utopia) a aceitação harmoniosa dos humanos detentores do gene X na sociedade.

A Madhouse não deturpa a base da Marvel neste sentido e tende mesmo a inspirar-se na Saga da Fénix como ponto de partida, no entanto a acção da série irá emprestar estes heróis ao Japão, introduzindo ainda personagens locais novas, sobretudo Ichiki Hisako. Como primordiais antagonistas, surgem os U-Men, um grupo anti-mutante - um conceito de adversário bastante vinculado aos X-Men da Marvel.

Todavia e a meu ver, o resultado deste projecto da Madhouse acaba por se revelar insatisfatório! O grafismo da série constituiu de facto uma aposta interessante mas o desenho das personagens privilegiou claramente uma abordagem aos filmes de Bryan Singer e de Bret Rattner em adição a um traço mais orientalizado, algo que acaba por se traduzir num efeito estranho. 
O cenário agrava-se quando ao assistirmos a esta série, constatamos que as próprias ideologias intrínsecas aos protagonistas são exageradamente orientais. É verdade que isto pode não provocar grande comoção entre muitos dado que afinal as pessoas por detrás deste trabalho são maioritariamente japonesas mas atendendo a todo o fundo Marvel, assim como ao reconhecimento de que as personagens não são, de todo orientais, acabei por considerar um exagero o que a este nível da animação foi feito.

Outro pormenor que não me terá agradado, foi o desfile de poderes que se evidenciou - não existiram lutas minimamente interessantes, apenas demonstrações singulares e padronizadas em cada episódio ao ponto da Storm lançar um raio e de acabar por aí a actuação da mesma, nesse mesmo episódio. De qualquer modo, a superficialidade da trama auxiliou em muito a que todo o conjunto se tornasse ainda mais aflitivo.

A provar que a qualidade técnica não é tudo num anime: 4/10

Nota: Já repararam bem no termo X-Men? Uma das coisas que sempre admirei neste título foi o facto de este se desdobrar em significado!
X-Men pode facilmente aludir ao denominado gene X. Mas pode facilmente circunscrever um grupo, o qual seria inevitavelmente Os Homens de Xavier - de novo o X em acção ou seria uma simples coincidência o nome do professor começar por X?

Não esquecendo tudo isto, o significado que mais me agrada é este: X em inglês lê-se muitas vezes "EX". Como ex-boyfriend, ex-girlfriend... e agora ajustem isto e voilá! Ex-homens/Ex-humanos - o que fará todo o sentido se meditarmos sobre o fundo ideológico da série e o qual incide no processo evolutivo da própria humanidade.

E esta ein? ;)

Saint Beast

Título Original: Seijuu Kourin Hen  セイント·ビース


Género: Acção; fantasia; shõnen-ai.
Creator: Arisugawa Kei
Director: Harume Kosaka
Estúdio: Wonderfarm
Emissão: de 9 de Maio de 2003 a 13 de Junho de 2003
Duração: 6 episódios


O selo que aprisionava dois Fallen Angels é quebrado e, agora em liberdade esta terrível dupla tentará levar a cabo um projecto de vingança contra os deuses, desmantelando o Heaven onde estes habitam e criando na Terra o seu conceito de verdadeiro paraíso denominado Hell.


Apesar desta pequena série constituir um bónus do CD Drama original de Saint Beast, a verdade é que nem por isso deixou de ser o trabalho dentro do mundo do anime que até hoje mais me desagradou. Confesso que não gosto do desenho - absolutamente nada me diz! A história carece de conteúdo sendo superficial em demasia mas, pior do que a história nesse aspecto temos mesmo as personagens. Tudo muito mau, inclusivamente a OST e a animação em si - diria mesmo que apenas a OP tem um valor razoável.


A rematar, aproveito para acrescentar o seguinte dado: esta foi a série mais pequena que até hoje visualizei (não estou a contabilizar os 15 episódios posteriores oriundos das parcerias da Wonderfarm com a Madhouse ou com a Tokyo Kids) e, apesar de ter sido a mais pequena foi também a série que mais interminável me pareceu.

Um 2/10, admitindo que ainda venha a assistir algo mais aterrador do que isto.

Mononoke

Título Original: Mononoke モノノ怪

Género: Fantasia; horror; tragédia; sobrenatural; seinen; mistério.
Director: Kenji Nakamura
Estúdio: Toei Animation
Emissão: de 12 de Julho de 2007 a 27 de Setembro de 2007
Duração: 12 episódios

"Whether or not it was real, as long as he, no, they, realized that their lives were over, it fulfilled its purpose."

Um homem misterioso denominado Medicine Seller vagueia pelo Japão feudal com o intuito de exterminar espíritos maléficos - designadamente os Mononoke. Esta frase só por si mesma centrará a essência do argumento da série.
Eu confesso que inicialmente não envergava grandes expectativas quanto a este projecto, mas acabei (felizmente) por me enganar redondamente: Mononoke foi um dos casos mais refrescantes que me passou em mãos nos últimos tempos! O desenho aparenta ser tosco e a animação da idade da pedra mas depressa esta primeira impressão evolui para um outro plano: o grafismo é absurdamente original, delineado ao mais pequeno pormenor e apostando no tracejado psicadélico, cheio de cores remetendo-nos no imediato para o Yellow Submarine dos Beatles em plena década de 60. Os efeitos técnicos misturam uma espécie de aliança entre distintos planos dimensionais e toda a animação é concebida de forma a nos transmitir sensações (aos próprios odores são atribuidas cores), significados e aquela ligeira inquietação de quando estamos a ver um filme de suspense.   

Os diálogos são intermináveis. O Seiyu não teve efectivamente descanso neste trabalho. Apenas o protagonista central se repete entre as 5 histórias introduzidas na série - muito ao estilo do formato aplicado em Ghost Hunt. Quanto às histórias, estas variam dentro do período Edo, sendo a última já no término do referido período dada a introdução do comboio - mas sofre cada caso uma experimentação diferente alternando a profundidade de cada caso entre planos mais colectivos e outros mais íntimos sendo que o único ponto comum entre os diversos desfechos é o fundo trágico.

Em suma, este é um daqueles animes que não agradará a todos e cuja animação provocará estranheza a outros tantos mas a verdade é que se trata de um projecto sobretudo experimental, votado a uma realidade visual inovadora que consegue ser simplificada no traço ao ponto de surgir estilizada em determinados momentos e possibilitando assim a entrada de um Boom psicadélico na paleta de cores. Os efeitos técnicos são inteligentemente aplicados, sendo efectiva a formulação simbiótica entre os vários planos. O argumento, sem ser extremamente complexo, acaba por ser suficiente para estimular as nossas capacidades cognitivas a trabalharem um pouco mais - o que já não é nada mau.

Acredito que poderia encerrar a minha crítica com a seguinte frase: Kenji Nakamura cortou na dinâmica de animação, colocando-a num perigoso patamar de estaticidade para seguidamente optimizar ao máximo todas as demais componentes, logrando atingir um resultado que se regozija na diferença sem que isso se traduzisse em momento algum num decréscimo de qualidade.  

9/10

Street Fighter II: The Animated Movie

Título Original: Sutorīto Faitā Tsū Mūbī ストリートファイタ

Género: Aventura; acção.
Autor: Kenichi Imai & Gisaburo Sugii
Director: Gisaburo Sugii
Estúdio: Group TAC
Estreia: 8 de Agosto de 1994
Duração: 102 minutos

Ryu! What do you see beyond your fist?
Street Fighter dispensa apresentações, tendo vincado o seu cunho no Universo dos videojogos, sobretudo nos finais dos anos 80 e inícios de 90. O sucesso deste projecto extravasou fronteiras e depressa chegou ao cinema - Quem não se lembra por exemplo de Jean-Claude Van Damme a interpretar William Guile em Street Fighter: a Batalha Final?

Gisaburo Sugii por seu turno apostou num filme de animação que, a meu ver, faz muito mais justiça ao jogo do que propriamente a versão de Hollywood alguma vez sonhou vir a fazer! 
A essência do jogo está bem conseguida através de cenas repletas de acção. Algumas das lutas contidas na animação estão simplesmente geniais - uma delas o duelo épico travado entre Chun Li e Vega, com uma sequência capaz de nos suster o fôlego e de nos "vidrar" os olhos. (Veja aqui)
A esmagadora maioria das personagens vai desfilando aqui e ali, ainda que apenas uma minoria tenha verdadeiramente protagonismo (os casos óbvios de Ken; Ryu; Chun-Li; Guile; Vega e Bison).

Não será decerto um trabalho que prima pelo defeso de um argumento transcendente, mas os serviços mínimos estão assegurados em toda a linha. Muito mais do que um mero anexo ou bónus de um jogo, este Street Fighter II sai-se com um:

8/10

Grave of the Fireflies

Título Original: Hotaru no Haka 火垂るの墓

Género: Guerra; tragédia
Argumento: Isao Takahata (baseado na obra de Akiyuki Nosaka)
Director: Isao Takahata
Estúdio: Studio Ghibli
Lançamento: 16 de Abril de 1988
Duração: 88 minutos

September 21, 1945... that was the night I died. (First lines)

Sinopse - O jovem Seita e a sua irmã Setsuko são abruptamente arrancados de um modo de vida estável para um caótico cenário bélico. Esta mudança acentua-se com a morte da mãe após um bombardeamento aéreo. São então encaminhados para os familiares mais próximos mas nem tudo corre pelo melhor: acabam por se afastar e iniciam um processo de sobrevivência cujos vectores primordiais assentam apenas e tão-somente apenas na aquisição de alimento para o estômago e de um telhado para o corpo.


Crítica - Um dos melhores filmes de animação de sempre.
Não retiro uma palavra que seja ao que acabei de escrever - estamos perante uma obra cinematográfica bem arquitectada, defendida por um fundo verídico e elevada pela mestria de quem conseguiu, a cada tracejado, a cada palavra, transmitir para a plateia um turbilhão emocional de uma envergadura enorme!

Grave of the Fireflies é muito mais do que uma simples história. É o próprio retrato histórico do Japão na Segunda Guerra Mundial. É também quase que uma autobiografia de Akiyuki Nosaka, inteligentemente moldada depois por Isao Takahata.
Com todo o fundo que referi, torna-se inevitável apreender qual a GRANDE linha de força deste anime: Hotaru no haka incide no cenário caótico que é o Japão em plena Segunda Guerra Mundial mas não o faz de forma superficial, ou seja, o argumento vai ao encontro sobretudo das pessoas, das emoções, da realidade nua e crua revelando a perspectiva da Guerra de quem a sente e acima de tudo os efeitos nefastos da guerra na vida destas pessoas. 
A forma como destrói e corrói, a forma como as transforma (exemplifico com a tia de Seita e de Setsuko, a qual sofre diversas mutações - a postura inicial desta mulher é a de acolher os sobrinhos e assim os mantém enquanto estes têm alguns bens e enquanto o destino do pai destes ainda é incerto. A partir do momento em que as dificuldades em tempo de guerra apertam e também decrescem as esperanças quanto ao sucesso no confronto, a sua personalidade muda radicalmente entrando num crescendo de incompatibilidade com a presença das duas crianças na sua casa).

O carácter humano acaba assim por estar bem delineado, pelo menos na forma como em situações menos pacíficas ou mesmo de sobrevivência se acaba por converter em algo tão insensível. Seita e Setsuko chegam ao ponto de roubarem para comer e mesmo assim, quando apanhados, o perdão ou auxílio não é algo que possa facilmente ser vislumbrado. Pior, em determinados momentos Isao dá-nos a entender que as pessoas que vivem nas imediações do abrigo de guerra que acolhe Seita e Setsuko estão a par da situação precária das crianças e, mesmo assim, ninguém os visita, ninguém aparentemente se parece preocupar.


Em termos de argumento, Grave of the Fireflies (GF) é um verdadeiro terror emotivo como já atrás referi. Envolve-nos num cenário tortuoso e lentamente inverte a engrenagem de sensações começando a consumir o nosso âmago para, já perto do fim, nos arrebatar com uma dura realidade que se aproxima, que compreendemos que vai acontecer e que nada pode ser feito para a travar - como uma imensurável barreira que nos projecta num estado depressivo - ainda assim, GF é suficientemente gentil para nos limpar a alma num pranto de redenção.

Esta fina peça cinematográfica tem sim, este poder estrondoso... o de tornar cada um de nós, um Ser humano melhor.

E fá-lo precisamente esbofeteando as nossas capacidades cognitivas, obrigando-as a assimilar na perfeição o conceito de injustiça.
Em suma, Isao Takahata pegou em duas crianças meigas, infantis e inocentes e colocou-as no epicentro trágico de uma realidade sôfrega e violenta. Metaforicamente poderia mesmo ser dito que Isao efectuou o sacrifício de dois cordeirinhos, cujo sangue derramado serviu o propósito de pacificar os demónios interiores que os homens adentro contêm.

Não pensem no entanto que Seita e Setsuko são perfeitos. E é isso que ainda torna mais verosímil toda a trama - ambos estão plenamente humanizados sendo que as suas opções nem sempre são as mais correctas. 

Quanto ao grafismo e componentes técnicas contem com o nível ao qual o Studio Ghibli já nos habituou. Irrepreensível!

Muitos de vós podem neste momento indagar quanto ao valor da minha review no que toca a este anime - É verdade que não me contive nos elogios e volto a considerar este trabalho como um dos melhores que já vi até hoje (em formato cinematográfico) no mundo do Anime... todavia, este mesmo trabalho acabou por não lograr atingir uma popularidade muito elevada, pelo menos quando o comparamos a outros seus congéneres made in Ghibli

E porquê? - questionarão.

Cumpre-me então tentar explicar, sendo que a sua circunscrição pode ser facilmente tecida: Grave of the Fireflies foi lançado praticamente em simultâneo com o My Neighbour Totoro de Miyazaki e se é verdade que a um filme com valor não lhe é facilmente imposta a penumbra, a verdade é que My Neighbour Totoro além de também ser uma grande obra, tem uma essência diametralmente oposta a este Hotaru no haka - que é muito mais depressivo e que por isso mesmo terá afastado alguns sectores de audiência. 
Adicionando a este facto toda a panóplia de merchandising que esteve por detrás de My Neighbour Totoro, incluindo o sucesso que foi a comercialização das suas Action Figures, acabamos por compreender o triunfo popular de um face a outro.


No entanto, para os críticos de cinema Grave of the Fireflies não deixa de ser uma obra sem precedentes. Que o diga Roger Elbert, o primeiro crítico de cinema a ganhar o Pulitzer Prize e o qual apenas considerou Hotaru no haka como um dos melhores filmes de guerra de sempre!

Ernest Rister foi mais longe e comparou-o mesmo à Lista de Schindler (galardoado com 7 óscares pela academia) considerando: "It is the most profoundly human animated film I've ever seen".

Em fase de conclusão, aproveito para debater o título que dá mote a este filme. Grave of the Fireflies acaba por ser (pelo menos) uma tríplice metafórica:
  • O termo Fireflies acaba por estar associado aos bombardeamentos efectuados pelos pilotos Kamikaze.
  • É também uma alusão aos pirilampos em si, bem como à duração existencial dos mesmos. Denote-se que os pirilampos são um elemento constante no abrigo das crianças, constituindo um entretenimento/companhia nocturna. São ainda enterrados por Setsuko.
  • É ainda (e quanto a mim sobretudo) uma alusão à existência das próprias crianças (neste caso Seita e Setsuko).

Espero que tenham apreciado a minha review. Aproveitem para seguir as hiperligações que aqui deixei, sobretudo as de Ernest e de Roger, onde acredito que possam aprender um pouco mais sobre esta película.  Como de costume, sintam-se livres para comentar e aqui partilhar as vossas experiências e opiniões.

A quem ainda não viu Grave of the Fireflies, recomendo que o façam o mais brevemente possível. ^^

Atribuição final: 10/10

Why must fireflies die so young?

Ghost Hunt

Título Original: Gōsuto Hanto ゴーストハント

Género: Policial; Sobrenatural; Detective; O Oculto.
Demografia: Shõjo
Autor: Fuyumi Ono
Director: Akira Mano
Estúdio: J. C. Staff
Emissão Original: de 3 de Outubro de 2006 a 27 de Março de 2007
Duração: 25 episódios.

"Scary how ignorant some people can be"

Sinopse

Ghost Hunt dá asas às aventuras de Mai Taniyama, uma jovem estudante que acaba por se ver envolvida com a Shibuya Psychic Research Center (SPR) e, consequentemente, com Kazuya Shibuya "Naru". Este último trata-se de um jovem com uma atitude bastante peculiar no que toca à cordialidade ou até mesmo à expressividade emocional (ou inexistência dela). Naru é ainda o chefe da SPR e também o responsável primário pela integração de Mai na SPR e nas suas actividades inerentes. Actividades estas que, forçam a um contacto mais íntimo com novos e recônditos horizontes. 

Como o título da série sugere, Ghost Hunt é uma verdadeira caça aos espíritos, percorrendo inúmeras casas e locais assombrados, agregando em cada caso abordado um conjunto de caras constantes, sobretudo espiritistas, mediums ou até mesmo um jovem exorcista católico. A maioria das personagens estão inseridas no ramo paranormal em termos profissionais, sendo que a própria série irá revelando as vocações, as aprendizagens e as capacidades das diversas personagens que nos são introduzidas.

Personagens e Argumento


As personagens principais são sobretudo as já referidas Mai e Naru mas também Masako Hara; Houshou Takigawa; John Brown e Ayako Matsuzaki. Todos estes caracteres são tendencialmente muito jovens e na minha opinião não detém traços que deixam a sua personalidade vincada a um nível pelo menos razoável: teremos sempre o mais sisudo, uma mais inocente, um outro com um feitio mais descontraído e uma outra que é facilmente circunscrita como a mais irritadiça. Temos também os típicos momentos cómicos oriundos do choque entre as várias personagens mas a verdade é que em termos de profundidade e de definição de perfil, as personagens são muito pouco exuberantes. 


Mesmo quando atentamos na acção das personagens nada se passa por aí além - exercem sem surpresa os mesmos rituais, surgem sempre de igual modo e o impacto na série não sofre uma métrica minimamente versátil. Tendo isto dito, torna-se lógico aceitar que a evolução das demais figuras é muito incipente, exceptuando-se Mai que acaba por evoluir as suas capacidades ao longo da animação, descobrindo aos poucos o seu dom. Mas a verdade é que até aqui o enredo falha na definição do dom, agravando-se o facto de Mai acabar por não conseguir vincar na acção da série propriamente dita o relevo e o papel central que detém do início ao fim - é como se esperassemos por uma justificação que nunca se chega a tornar efectiva.
Nada de resto parece vir a transformar os caracteres de GH em personagens triunfantes nos recantos da nossa memória.

Quanto à história, esta surge padronizada, ainda que fragmentada. Assim defino a estrutura da série - 25 episódios dispersos em 8 ficheiros, 8 casos distintos sendo que cada um destes casos alberga 3 ou 4 episódios (salvo uma ou outra excepção). 
A série promove sobretudo a pesquisa pelos porquês, as causas que levaram os locais que evocaram o auxílio da SPR a manifestarem determinadas actividades paranormais e quais os diversos tipos de assombração, promovendo-se uma abordagem na série muito mais científica e não tão aterradora como inicialmente estaríamos à espera - há que admitir também que o público alvo é o feminino, não fazendo muito sentido apresentar um excesso de elementos horríficos a uma miúda de 13 anos, mas convenhamos, neste vector GH deixou mesmo muito a desejar. 

No entanto, a história não tem um seguimento linear, um princípio, um meio e um fim, pelo menos em que se caminhe rumo a lado algum. As histórias são muito random e a inexistência de um clímax perturba o apego pessoal a uma série arquitectada sob este formato. Em termos emocionais, talvez o ficheiro quinto (Silent Christmas) consiga provocar um envolvimento mais pesado, mais triste enquanto que os últimos dois ficheiros (Bloodstained Labyrinth e The Cursed House) terão um nível bem mais interessante quando falamos em suspense.

Ambiente e Grafismo

Temos um ambiente noir e não me atreverei a refutar isto. Os cenários estão cheios de recantos sombrios que aguçam por vezes alguma inquietação. No entanto em termos gráficos, não sou particularmente adepto do traço de GH pois este parece-me ser muito pouco condimentado. O uso de cores pouco quentes poderia ser uma escolha de cromatismo óbvia mas a verdade é que aliando uma paleta de cores muito frígida a um desenho desinteressante acabamos por apreender que a fórmula escolhida pelos criadores de Ghost Hunt é no mínimo, ineficaz!

Dinâmica de Acção e Som

A dinâmica é relativamente mediana e dizer isto ou  não dizer rigorosamente nada parecer-vos-à parecido senão mesmo igual... e a verdade é que até têm razão. No entanto reparem, a série não é das mais dinâmicas que poderemos encontrar em termos de enredo, logo acaba por ser uma consequência natural não existirem grandes momentos de acção e tão pouco movimentações frenéticas por parte dos demais intervenientes. Para aquilo que é, serve. Todavia e, ainda assim, acredito que poderiam ter atingido um nível técnico um pouco mais sólido.

Quanto ao som, pelo menos quanto aos efeitos sonoros: as coisas são realmente mais animadoras, os sons de rapping estão sempre presentes e a série não peca neste vector. Poderíamos esperar um pouco mais, sim, da OST, que não se impõe nem parece ter muito para nos oferecer.

Em suma, para quem gosta do género, poderão eventualmente apreciar este projecto, mas Ghost Hunt não é seguramente abrangente a qualquer tipo de pessoa sendo que muitos não estarão dispostos a empregar o seu tempo numa série que é excessivamente parada por vezes e a qual introduz uma certa carga enigmática que depois não é capaz de concretizar no desfecho de cada ficheiro.  

6/10

Sailor Moon

Título OriginalBishõjo Senshi Sërã Mun 美少女戦士セーラームーン

Género: Aventura/Romance/Magical Girl/Comédia/Drama/Fantasia
Demografia: Shõjo
Autor: Naoko Takeuchi
Director: Junichi Sato; Kunihiko Ikuhara; Takuya Igarashi
Estúdio: Toei Animation
Emissão Original: de 7 de Março de 1992 a 8 de Fevereiro de 1997
Duração: 200 episódios.

I am Sailor Moon! I stand for love. And I also stand for justice. And in the name of the Moon, I will punish you! 

Storyline: A história centra-se em torno de uma princesa com identidade e poderes adormecidos. É a sua pequena companheira felina, Luna, que irá auxiliar inicialmente neste processo. Gradualmente, são despertadas outras navegantes sendo que cada uma corresponde a um determinado planeta do sistema solar. O príncipe Endimion, também adormecido, será alvo de uma constante disputa entre Usagi Tsukino e as vilãs da história. Ao longo de 200 episódios são ainda elevados diversos conceitos, muitos ambíguos, outros simplesmente com um duplo sentido, elevando-se sucessivos cenários que obrigam o presente a responder directamente às ameaças oriundas do passado e do futuro.




Crítica: É caso regular no anime existirem várias temporadas, por norma circunscritas a um número de 25 episódios embora isto não seja obviamente um qualquer tipo de regra. Sailor Moon, à semelhança de outros animes prolongou-se por várias temporadas - uma necessidade sobretudo se atendermos à longevidade deste trabalho (200 episódios!). Todavia, este anime contou com três diferentes directores e, mais importante que isso, com fases qualitativas a meu ver bastante distintas. Por esta razão irei fragmentar a crítica em diversos segmentos, de forma a isolar convenientemente cada área de análise.

Sailor Moon - 46 episódios (1st season)
Independentemente da qualidade do pacote todo, pelo menos será inequívoco dizer que a alma do projecto nasceu na primeira temporada e manteve-se imaculado nas subsequentes. Não irei fugir ao óbvio - Sailor Moon é um anime demarcadamente mais feminino e como tal abrange de forma mais eficaz este mercado. Diversos conceitos e preocupações são emanadas: roupas; beleza; cosméticos; justiça e sobretudo amor, muito amor! Mesmo nas próprias opções de desenho encontramos detalhes mais próximos do universo feminino e mesmo em número de personagens, estas são esmagadoramente mulheres elevando-se o mascarado como o salvador da bela em perigo, uma espécie de zorro nipónico cujo papel não assenta realmente no socorrer da dama mas sim no reforço ao romance e ligação da protagonista a uma figura masculina.
Sonhos, montes deles (alguns inclusivamente supérfluos) são pilares intrínsecos ao script da série. Como já certamente compreenderam, apenas estou ainda a caracterizar vectores globais. Acrescento um outro importante: padrão!

Existe um padrão concreto nesta primeira temporada e esse mesmo padrão tenderá também ele a manter-se até ao final da série. Reparem, no início de cada temporada temos sempre a inserção de novos dados e personagens, por vezes mesmo a noção de que algo está adormecido (esquecido) e que gradualmente será possível reviver a personagem no pleno da dua consciência. Temos a introdução de instrumentos e poderes, do inimigo (por norma em escalão inferior). Depois disto evoluimos para o meio da temporada onde afinal apreendemos que os inimigos primários afinal serviam alguém mais poderoso e será mesmo esse alguém mais poderoso a estar presente na derradeira batalha final, onde o mundo como o conhecemos estará repetidamente em perigo.

Relembro por exemplo aqueles episódios mais individuais onde a Usagi Tsukino luta ao lado da navegante de Mercúrio. Quando isto acontece, já sabemos que no episódio seguinte ela lutará contra algum demónio ao lado de uma outra das navegantes em falta. A forma singular em que cada uma das Inner Scouts foram despertando, entre outros exemplos - a isto chamo padrão!
Muitos poderão considerar isto repetitivo, monótono, pouco inovador, desinteressante, aborrecido (entre outros tantos adjectivos) - e terão razão! Mas recordo que estamos a abordar um anime de inícios dos anos 90 e na altura as coisas seguiam muito este género de rotinas. 

Agora sendo mais circunscrito!
A primeira temporada, talvez por trazer em si a novidade, conseguiu surpreender do início ao fim e deixar-nos sempre no limite do suspense. Até determinado ponto, pelo menos. É óbvio que tudo tem um fim e à medida que a série progride começamos a conjecturar assertivamente alguns desfechos.
Em termos de inimigos, estes foram talvez os mais personalizados... não faltou inveja, ambição e mesmo romance no seu âmago. Curiosamente, o elemento masculino surgiu em maioria (sim, até a Zoisite era um homem!) - um elemento sempre constante em Sailor Moon assentará precisamente nisto... em alguns casos ficaremos mesmo na dúvida em relação à sexualidade dos intervenientes. Felizmente para nós, as próprias protagonistas terão as mesmas dúvidas e serão tãos fáceis de ludibriar quanto nós (talvez até um pouco mais). Todavia, o inimigo mais poderoso era, imaginem, uma mulher.
A primeira rede de inimigos esteve muito associada à terra, aos minerais. Estes, à semelhança dos sucessores, subsistem e ganham força através da energia dos humanos. Dos sentimentos dos humanos. Dos sonhos dos humanos. E aqui encontraremos seguramente alguma mensagem de foro mais subentendido.

Em termos de poderes também considero que (mesmo apesar da tiara) foi uma benção ver ceptros a menos, ou pelo menos mais diminutos. Mais originais também. A primeira temporada trouxe-nos ainda a Mercúrio, a Marte, a Júpiter, a Vénus ou Artemis por entre 4 generais inimigos e um boss derradeiro.
Foram 46 episódios que nos agarraram à cadeira. E interessante a perspectiva de como uma protagonista preguiçosa, medrosa, desequilibrada e vulnerável se conseguia desenvencilhar dos obstáculos à medida que um séquito bem mais determinado ia ganhando forma.

Tudo isto é coroado nos episódios 45 e 46 onde a rainha Beryl é finalmente confrontada sendo que também todas as navegantes e o Príncipe Endimion morrem. Foi o momento mais dramático e dificilmente ele se iria voltar concretizar com contornos tão eficazes. E na minha opinião não se realizou! Convenhamos, ninguém sabia o que viria a seguir... era realmente aceitável que as protagonistas morressem. Não morreram verdadeiramente e nas mortes subsequentes a carga dramática minguou, sobretudo por já se antecipar que mais uma vez as navegantes teriam retorno assegurado! Excepto lá está, naqueles casos que envolveram outras personagens cujo desfecho ainda respirava além das nossas mãos - lembro-me para o efeito, por exemplo, das mortes da Úrano e da Neptuno na terceira temporada.  

Quanto a mim, por tudo o que já referi, a primeira temporada de Sailor Moon cessou cotada em nível, imaginem, 9!

As lutas poderiam ser melhores. O padrão roi-me o âmago admito... Usagi consegue ser deveras irritante por vezes e a própria história não transcende ricos horizontes. Mas sublinho desde já uma aura envolvente, que poucas vezes conseguimos encontrar noutras séries. Talvez defendida essa aura por uma OST brilhante (com o cunho de Vanessa Mae) ou com a carga dramática constante mas eficaz ao longo dos 200 episódios.
A dinâmica da animação consegue ser também interessante e as cores e o traço surgem mais à vontade neste género de anime.

Agora que sublinhei os principais vectores e não me alongando muito mais, circunscrevo as quatro temporadas restantes:

Sailor Moon R - 43 episódios
Mesma direcção! Em termos de cores manteve-se em muito um tom frio, recorrendo Junichi Sato a elementos ligados à neve, ao próprio gelo. Os inimigos foram obviamente substituídos... sendo trocados os minerais por pedras de elevado calibre. Esmeralda, Safira, Diamante e Rubi passaram a ser os adversários de destaque. Em termos de script este conseguiu sobreviver, inserindo o mesmo padrão aplicado na primeira temporada (a questão das personagens adormecidas ou apenas acordadas quando inconscientemente: o Príncipe Endimian deixou de ser o Zorro para se tornar num príncipe das Arábias).
Ail e An surgiram como entidades alienígenas de forma a gerarem um inimigo primário relativamente mais fraco - o típico aperitivo. Mas foi Chibiusa quem realmente centrou eficazmente o argumento de Sailor Moon R, recorrendo a um sentido inverso: se na primeira temporada existiu o passado enquanto motor de arranque, desta feita inverteu-se direcção ascendendo o próprio futuro enquanto matriz.
A qualidade quanto a mim não decresceu, justificando-se o 9 também neste segmento da animação.

Sailor Moon S - 38 episódios
A mudança de direcção reforçou o padrão existente e manteve a aura de Sailor Moon talvez até mesmo colocando alguns contornos mais enigmáticos. O objectivo foi mesmo o de introduzir as três navegantes ainda em falta: Úrano, Neptuno e Saturno (Plutão já havia surgido na R). Os novos poderes destas, as personalidades vincadas e a sua missão manteve o interesse do anime, coroando-o com uma carga dramática verdadeiramente admirável. Curiosamente mais uma vez sob o signo menos convencional - Úrano e Neptuno desde cedo transpareceram uma relação amorosa efectiva. Algo que já haviamos visto no lado dos inimigos, nomeadamente entre Zoisite e Kunzite.
Pessoalmente, considero mesmo Haruka Tenoh e Michiru Kaioh como as personagens melhor configuradas em toda a série. E esse aspecto aliado à evolução sonora que abençoou Sailor Moon S, logrou obter o nível 8.


Sailor Moon Super S - 39 episódios
É realmente com Super S que as coisas dolorosamente acabam por decrescer.
Acentuou-se a veia polémica, acabando por se exagerar nas personagens de Hawk's-Eye; Tiger's-Eye ou Fish Eye. Sailor Moon tornou-se numa verdadeira aberração de movimentos, luzes, rosas e muitas estrelinhas. Chibiusa surge mais irritante do que nunca (mais até do que a própria Usagi!) e pior do que isso, trás consigo um unicórnio aparentemente pedófilo. 
Um bando de raparigas coloridas que dão pelo nome de Amazonas e todo um Dead Moon Circus que assumindo o seu lado aberrante não tornou com isso, este segmento de animação menos estranho. Queen Nehelenia, que parece uma senhora de avultada idade cheia de plásticas e operações cirúrgicas, acaba mesmo por ser o elemento de maior interesse entre todo um séquito de inimigos aborrecido. Mas mais uma vez, Nehelenia tal qual Beryl, acaba por se apaixonar por Endimion e tudo fazer para o roubar a Usagi - repetição de padrão uma vez mais.
Foi, sem dúvida alguma o trecho mais ineficaz de Sailor Moon com resultados visivelmente mais negativos e que, infelizmente, terão arruinado muita coisa, inclusivé o honroso desfecho que estava reservado para o trabalho em termos globais.
Um segmento que sorri, ao ver um 7.  

Sailor Moon Stars - 34 episódios
Mantendo-se o padrão de outrora, surge em campo a mais poderosa inimiga de que há memória: Galáxia. E com esta surgem três superviventes, as Starlights, inimigas mortais da primeira. Estas últimas são também mais um elemento ambíguo na série, caminhando de dia enquanto homens mas enquanto mulheres, na sombra. Escrevo obviamente de uma forma menos literal mas a mensagem presente é absolutamente fidedigna. De qualquer modo, as lutas melhoraram, a carga dramática regressou. O mascarado perdeu-se quase que definitivamente sendo substituído temporariamente no coração de Usagi por uma das starlights, a Fighter.
Na caminhada para o derradeiro final, alinhavaram no palco um vasto conjunto de personagens que soube perecer e reviver com toda a dignidade. Confesso que tanto as Inner Scouts como Plutão e Saturno poderiam ter dado muito mais... mas as 3Lights, Úrano e Neptuno acabaram por ocupar os espaços em falta relegando mesmo por momentos a própria navegante da Lua para a condição de mera espectadora. Claro que no fim esta ocupará sempre o seu pedestal. Um 9 para um final feliz.

Em suma e, sendo picuinhas, a primeira temporada conseguiu ser superior. A quinta (última) e a segunda andaram cotadas a nível muito similar, ainda que com ligeira vantagem para a última temporada. A terceira fase conseguiu segurar um patamar já em esforço mas ainda assim cumpriu funções. Sendo que a quarta temporada terá sido efectivamente a parente pobre em termos globais.

Claro que não vou atribuir uma pontuação fragmentada como aquela que fiz ao longo da crítica, pelo que Sailor Moon recebe:

9/10